CTAv - Plano de trabalho 2008/2009
1. Modernização
a) Instalação de servidor próprio e rede local de transmissão de dados
Instalação de servidor de conteúdo digital de vídeo e áudio em tempo real, através de uma rede local ‘Fibre Channel’ de alta velocidade (fibra ótica). Inicialmente este servidor terá por finalidade a desobstrução das mídias locais, permitindo o acesso de vários projetos às ilhas de edição simultaneamente. O sistema também terá disponível estrutura de backup automático, o que ampliará a sua capacidade. Esta proposta envolve forçosamente várias áreas de conhecimento de hardware e software, que deverão atuar em conjunto. Apenas em um segundo momento o CTAv poderá disponibilizar conteúdos na Web (Internet) através deste servidor.
Execução: CTAv / contratação de empresa especializada.
b) Plano diretor de automação do CTAv
As atividades do CTAv ainda são desenvolvidas de forma manual, ou apenas parcialmente informatizada. Não há sistemas operacionais interligando os setores de trabalho, nem controle dos processos de serviço e acervos via meios digitais. Por outro lado, há carência de recursos humanos no órgão, o que a tecnologia poderia vir a minimizar automatizando certas ações. Faz-se necessário, previamente, um levantamento de processos internos e externos (fluxograma) bem como a especificação dos programas a serem desenvolvidos, já pensando nos relatórios desejáveis. Para tanto, propõe-se a execução deste item em duas etapas: a) planejamento estratégico da criação de softwares específicos com a finalidade de automatizar e interligar todos os processos e serviços realizados pelo CTAv; b) execução do plano de automação desenvolvido de acordo com as especificidades do órgão.
Todo o sistema gerado deverá estar acessível em interface Web, visando: a) o controle on-line de solicitações de serviços técnicos e empréstimo de cópias, assim como o acompanhamento destas solicitações; b) localização de matrizes, com a criação de um banco de dados compatível com o SIBIA - Sistema Brasileiro de Informações Audiovisuais, já implantado; c) catálogo de filmes em película e vídeo (sinopse, ficha técnica, imagem e fotos); d) desenvolvimento de logística de processos de implantação e manuais de procedimentos; e) treinamento para os servidores, para uma melhor adequação aos novos mecanismos de difusão de informação que permitam interação com usuário através do site; f) criação de glossário técnico voltado para o segmento audiovisual.
Execução: CTAv / contratação de empresa especializada.
c) Reforma e atualização dos estúdios de som, incluindo equipamento digital e de restauração de som
O conceito do CTAv, ao ser constituído, era o de qualificar e atualizar os processos de gravação e mixagem de som dos filmes brasileiros, reconhecidamente uma das debilidades do setor na época. O projeto acústico dos estúdios de som representou e ainda representa uma referência para o setor. Ao longo do tempo, porém, a defasagem tecnológica somada à manutenção precária, fizeram com que a capacidade técnica do CTAv ficasse aquém de seu projeto acústico. O intento de desenvolver no órgão um centro de excelência na restauração do som de filmes raros, não atendidos pelo mercado, implica também na aquisição de novos equipamentos especializados.
A proposta é promover a modernização dos estúdios de mixagem, dublagem, cabine de projeção e implantação de sala de restauração de som. Especificamente: a) estúdio de mixagem; b) sala de restauração, com implantação de software, hardware, interfaces e plugins totalmente compatíveis com os sistemas dos outros estúdios disponíveis no mercado; c) interligar estúdio de folley e dublagem aos outros estúdios do CTAv;
Execução: CTAv / contratação de empresa especializada.
d) Cabine de Projeção: recondicionamento dos projetores em 35 e 16 mm, remodelação do espaço, substituição da tela e modernização tecnológica
A cabine de projeção do CTAv dispõe de um projetor para película 35mm e outro em 16mm, necessitados de restauração. É necessário, no entanto, equipá-la também para equipamentos de projeção digital, tanto para ações de formação quanto para o visionamento do produto de serviços prestados pelo órgão. O padrão da tela e das poltronas deve corresponder a estas melhorias.
Execução: CTAv / contratação de empresa especializada.
e) Atualização do equipamento para animação
Aquisição de insumos e adequação de estrutura física para a modernização dos equipamentos de animação do CTAv, com o objetivo de possibilitar a realização de filmes e vídeos em 2D e 3D, nas plataformas Mac e PC.
Execução: CTAv / SAV
f) Atualização do equipamento de captação de imagem (câmera digital)
O Centro Técnico Audiovisual, como o seu próprio nome indica, deveria ocupar uma função central na introdução de novas técnicas no âmbito da produção audiovisual brasileira. Entretanto, as atividades do órgão seguem à margem da evolução tecnológica no campo das imagens digitais em alta definição. Por esta razão, tornou-se indispensável a aquisição equipamento High Definition para captação e edição de imagens, além de seus periféricos. Em tempos de televisão digital, ficar sem esta atualização significa criar um abismo entre a natureza e a qualidade do trabalho realizado no CTAv e a realidade do mercado e do consumo audiovisual. Novas mídias, como “i-pod”, “i-tv”, o próprio telefone celular, estão sendo criadas pela digitalização. Novos paradigmas, formatos e modelos de negócio aparecem a cada momento. Esta defasagem, no momento em que o futuro do audiovisual está profundamente ligado ao processo de digitalização, poderá tornar obsoleta a capacidade do CTAv de apoio à produção, exercida pelo aporte de recursos de câmera e de edição.
Descrição de equipamentos: Câmeras HDCAM, Lentes, Acessórios, Jogo de Filtro, Cabeçote Hidráulico, tripés, Microfones, Deck Edição de Estúdio HDCAM, KIT Kino Flood, Kit Reporter, Kit Básico Fresnel, Downconwrter e DV encoding, HD Vídeo Digital Cassete Player.
Execução: CTAv / SAV
g) Atualização do equipamento de captação de som e iluminação
Os avanços técnicos obtidos pela indústria fonográfica nas últimas décadas criaram um novo patamar de exigência em relação à qualidade de som. Tanto gravadores quanto microfones sofreram um processo de sofisticação tecnológica que os distanciaram dos modelos anteriores em matéria de resultados e facilidade de operação. É preciso compatibilizar os equipamentos de captação de som com aqueles de captação da imagem digital. A renovação do equipamento de captação de som deve vir acompanhada por uma modernização também do material de iluminação. Há no mercado equipamentos mais eficientes e compactos, que oferecem qualidade e mobilidade às filmagens. A universalização do uso de novos equipamentos, inclusive por produtoras mais modestas, impõe esta equiparação por parte do CTAv.
Execução: CTAv / SAV
h) Elaboração da versão 2.0 do aparelho de transfer, para desenvolvimento de tecnologia própria
O CTAv, por meio da capacidade e dedicação de seus técnicos, desenvolveu uma tecnologia que lhe permitiu a elaboração de um transfer (equipamento de transposição de imagem digital para película) com qualidade técnica compatível com padrões profissionais. Entre os serviços prestados pelo órgão, este é dos que tem tido mais demanda, como natural conseqüência da ampliação do uso das técnicas digitais de captação. O desenvolvimento tecnológico de equipamento mais avançado faz parte do processo de autonomia do CTAv na área de finalização de filmes. A elaboração de uma segunda versão do protótipo, além de representar incremento de qualidade técnica do produto final, pode, em médio prazo, significar transferência de tecnologia.
Execução: CTAv
i) Capacitação do pessoal técnico para restauração de som
A restauração sonora de películas antigas requer expertise e criatividade. Materiais históricos contam com timbre e sonoridade característicos dos equipamentos da época em que houve o registro fílmico, ruídos indesejáveis agregados á coluna sonora por sucessivas ‘contratipagens’ e alterações decorrentes da decomposição da película em si, que normalmente inclui danos também na coluna de som ótico. Restauração é um exercício do conhecimento técnico aliado à sensibilidade, à criatividade e à capacidade de improvisação. A soma das necessidades identificadas pelos responsáveis pela preservação de acervos cinematográficos com a experiência técnica especializada, nacional ou internacional, deverá criar, gradualmente, a formação de um núcleo de excelência, em permanente estado de aperfeiçoamento. Para tal serão organizadas visitas técnicas, oficinas internas e externas, seminários, estágios no exterior para técnicos do CTAv e convite para a visita de técnicos nacionais ao CTAv, entre outras ações. Laboratórios do mercado comercial lidam exclusivamente com material de sonorização em boas condições técnicas. A tradição do CTAv na área de som vem de longa data. A existência e utilização de alguns equipamentos já descartados pela indústria, paralelamente a outros mais modernos, cria boas perspectivas de especialização nesta área, cada dia mais valorizada.
Execução: CTAv / SAV / contratação de técnicos externos
j) Capacitação do pessoal técnico em digitalização e disponibilização de conteúdo audiovisual pela internet
A disponibilização pela internet de conteúdo audiovisual do próprio acervo é prática já em curso nos institutos nacionais e internacionais de cinema e audiovisual, como por exemplo o National Film Board, do Canadá, e pelas cinematecas. O download (tarifado ou gratuito) de imagens de repertório pode estimular a realização de documentários e séries para a televisão que propiciem a releitura da história recente do país, a exemplo que já vem acontecendo. A internet se afigura como uma nova dimensão do consumo audiovisual para cujo manejo o CTAv, em sua característica de promotor da atualização tecnológica, precisa estar preparado.
Execução: CTAv / SAV
k) Projeto de sala multimídia
Fortalecer a atividade de formação do CTAv demanda a criação de uma sala especialmente destinada a acolhe-la. Um espaço que possibilite projeção de filmes, realização de conferências, painéis e debates. Para tal, faz-se necessário prover a sala com projetores para película e mídias digitais, mas também equipamentos de gravação de som e imagem conectados como tecnologia de transmissão de teleconferências e difusão de conteúdo em rede.
A divulgação de conteúdos gravados e editados em DVD significa uma otimização do conhecimento que vier a ser produzido a partir da criação da sala. Sua utilização para teleconferências pode facilitar a realização de debates e consultas de amplitude nacional. E se ela for equipada também para projeção digital em rede, pode constituir uma ferramenta de experimentação para vir a alimentar de conteúdo salas de cinema digital ou pontos de cultura, em âmbito municipal, estadual e nacional, dotando o Ministério da Cultura de expertise na área.
Execução: CTAv / SAV / MinC / BNDES/ Petrobrás (?)
l) Plano de catalogação, avaliação técnica, restauração e digitalização do acervo
Preservar, digitalizar e dar acesso são motes para gerenciamento de todo e qualquer acervo audiovisual. No caso do CTAv, há problemas de armazenamento, embalagem, catalogação e de identificação do estado de conservação. Viabilizar um projeto de digitalização depende de equacionar primeiro estas pendências. Em alguns casos também se faz necessária restauração de materiais. Como cada etapa depende da anterior, é indispensável quantificá-las sucessivamente para prever os recursos necessários e seu cronograma de desembolso. Nesta fase do processo pretende-se preparar o acervo para que possa ser digitalizado em um segundo momento.
Execução: CTAv / SAV
2. Difusão
a) Nacionalização do programa Curta Brasil, transmitido pela TV Brasil, oferecendo passagens e estadia para diretores e críticos de fora do Rio de Janeiro
O programa Curta Brasil permanece no ar há 13 anos e conta com curadoria do CTAv e apresentação de Ivana Bentes, professora da ECO/UFRJ e crítica de cinema. A exibição dos curtas selecionados é seguida debate com críticos e realizadores. A proposta é que o CTAv passe a convidar como colaboradores - com passagem e diárias - diretores e críticos de outros estados do Brasil, além do Rio de Janeiro, onde o programa é gravado, no sentido de promover um fluxo inter-regional de enfoques e o intercâmbio de opiniões.
Execução: CTAv / SAV / TV Brasil
b) Programa de premiação CTAv: serviços para curtas e médias-metragens em finalização, transcrição digital para película, tiragem de cópia em 35 mm e DVD
Tradicionalmente o CTAv participava do circuito de festivais nacionais oferecendo um prêmio sob a forma de doação de uma cópia em 35mm ao melhor curta-metragem escolhido pelo público. A premiação está suspensa por limitações orçamentárias. Ao retomar a proposta, propõe-se sua ampliação. Além dos escolhidos pelo público de festivais, outros curtas-metragistas seriam contemplados por meio de editais com o mesmo fim, ou seja, a confecção de cópia em 35mm. Nestes casos o órgão seria configurado como ‘co-produtor’ dos filmes contemplados, valorizando a qualidade das obras e os próprios aportes do CTAv. O serviço de ‘transfer’ de vídeo para película 35mm é oferecido com equipamento exclusivo desenvolvido por técnicos do CTAv.
Execução: CTAv / SAV / Fórum dos Festivais
c) Programa da Mostras Itinerantes de inclusão cinematográfica e promoção do cinema brasileiro
Esta atividade já foi desempenhada pelo CTAv com o objetivo de democratizar o acesso de populações excluídas à produção cinematográfica e audiovisual brasileira. A idéia de itinerância possibilita a articulação de programas direcionados aos interesses específicos de cada população. São comunidades de baixa renda, populações residentes em cidades afastadas, comunidades corporativas e população carcerária, entre outras. Todas elas econômica, geográfica ou socialmente à margem do acesso ao consumo do produto cinematográfico e audiovisual brasileiro.
Execução: CTAv / SAV / Fórum dos Festivais
d) Venda dos DVDs já existentes elaborados pelo CTAv (O Descobrimento do Brasil, O Saci, Assalto ao Trem Pagador, Rainha Diaba)
O CTAv realizou, quando fazia parte da administração indireta, os quatro DVDs enumerados, dirigidos respectivamente por Humberto Mauro, Rodolfo Nanni, Roberto Farias e Antonio Carlos Fontoura. Um filme histórico, um infantil, um policial e uma crônica de costumes. Foram comercializados com sucesso através da FUNARTE, em videolocadoras, livrarias, lojas de produtos culturais. Com a vinculação do CTAv à administração direta, esta possibilidade extinguiu-se, embora haja estoque disponível. A proposta é retomar a comercialização destes DVDs através da Sociedade Amigos da Cinemateca (SAC), como experiência piloto para futura retomada da atividade.
Execução: CTAv / SAC
e) Transposição do suporte VHS para DVD dos vídeos já realizados pelo CTAv
O CTAv possui uma consistente lista de títulos de obras e programas no suporte VHS, cuja transposição para DVD não geraria grandes custos. Sua disponibilização para entidades e o público em geral vem a complementar a atividade da Programadora Brasil, que já disponibiliza vários títulos do acervo CTAv, mas tem foco exclusivamente em uma rede de salas credenciadas para exibições públicas não comerciais. Os DVDs produzidos pelo CTAv a partir desta transposição estariam à disposição do público em geral, por intermédio da Sociedade de Amigos da Cinemateca (SAC).
Execução: CTAv / SAC
3. Formação
a) Projeto de regionalização de cursos de cinema de animação
Realização de vinte cursos técnicos de animação em vários estados do Brasil, visando a despertar e recrutar talentos, que pela distância geográfica, econômica ou social, não tenham acesso a este tipo de formação. Este projeto é o embrião da Rede Brasil Animado, pool de 20 núcleos de animação em diversas cidades brasileiras. Estes centros dedicados ao apoio e a formação de animadores, terá projeto pedagógico acompanhado pela ABCA - Associação Brasileira de Cinema de Animação. Os alunos dos cursos aqui propostos poderão transformar-se em multiplicadores nos núcleos regionais. O objetivo da rede é atender demandas do segmento animação atualizando os conhecimentos dos animadores com relação às novas tecnologias digitais, gerando assim capacitação autoral e técnica.
Execução: CTAv /ABCA / SAV
b) Oficinas de animação, documentadas pelos professores e pelos alunos
Realização de oficina de iniciação às técnicas de animação e noções elementares de linguagem cinematográfica, com documentação das aulas, feita pelos próprios alunos e professores, em uma experiência piloto. A turma terá acesso a duas câmaras digitais, uma destinada aos professores, outra aos alunos. Aos alunos será fornecida instrução básica de manuseio do equipamento, bem como noções de iluminação, enquadramento e captação de som. O material captado e editado poderá eventualmente transformar-se em conteúdo autônomo. A oficina experimental, teste deste formato, já está sendo implementada junto à comunidade Parque Alegria, vizinha ao CTAv, para que, em função de seus resultados, possa ser replicada.
Execução: CTAv / escolas públicas, associações de moradores e movimentos sociais
c) Oficinas de iniciação à técnica e linguagem cinematográfica
Oficinas breves (20 horas), de baixo custo, realizadas com câmaras, projetores e edição digital visando a uma primeira aproximação com o audiovisual. Formação teórica básica combinada com experiências práticas simples e acessíveis.
Execução: CTAv / profissionais contratados, escolas públicas e movimentos sociais
d) Cursos técnicos e oficinas sobre a utilização de ferramentas e programas de edição de som e imagem
Breves oficinas, cursos técnicos profissionalizantes e cursos livres realizados com o objetivo de familiarizar os alunos na utilização dos modernos equipamentos de edição de imagem e som. Manuseio de programas-padrão destas áreas técnicas, como Pro Tools, Adobe, etc.
Execução: CTAv / profissionais contratados e estabelecimentos de ensino
e) Cursos técnicos e oficinas sobre captação e edição de som
Otimização da experiência acumulada no CTAv na oferta de cursos técnicos livres e oficinas de iniciação na área de som, com a utilização de um ou mais equipamentos como material didático, possibilitando a prática imediata dos alunos. A ser realizada no CTAv ou regionalmente.
Execução: CTAv / MinC (pontos de cultura) e Rede Olhar Brasil
f) Cursos técnicos e oficinas sobre edição de documentários
A facilidade de captação digital das imagens aumentou potencialmente a quantidade de horas brutas gravadas para um mesmo documentário. Com material tão abundante, a edição tornou-se o diferencial de qualidade do resultado. No âmbito do moderno ‘cinema falado’ brasileiro, elaborado a partir de depoimentos, destacam-se aqueles documentários com edição mais rigorosa e criativa. Este curso pretende analisar e comparar a edição de filmes de realizadores consagrados, brasileiros e estrangeiros, educando o olhar dos alunos e capacitando-os a obter melhor resultado de suas próprias edições.
Execução: CTAv / Tv Brasil / profissionais contratados, associações profissionais e estabelecimentos de ensino
g) Programa de estágios no CTAv, em colaboração com escolas e departamentos universitários de cinema, audiovisual, comunicações e multimeios
O CTAv tem obtido resultados auspiciosos na interação com estudantes estagiários, que passam a ter contato com profissionais experimentados e contribuem como força de trabalho para o órgão. A proposta é sistematizar e otimizar os convênios com departamentos universitários e escolas, já existentes, criando um mecanismo de avaliação de seus resultados.
Execução: CTAv / Fórum das Escolas de Cinema FORCINE / faculdades de comunicações, departamentos de cinema e escolas de cursos livres
h) Reciclagem e capacitação profissional, em colaboração com sindicatos e TV Brasil.
Uma demanda constante dos sindicatos profissionais do cinema e do audiovisual é a reciclagem dos profissionais associados, dando-lhes condições de utilizarem as técnicas desenvolvidas a partir da digitalização. A possibilidade de agregar conhecimento tecnológico mais atualizado à experiência técnica acumulada a partir do uso dos equipamentos tradicionais, se bem sucedida, pode representar um patamar novo de qualidade.
Execução: CTAv / profissionais contratados, sindicatos e associações profissionais
i) Elaboração de CDs na forma de manuais digitais de treinamento para uso de determinados equipamentos (câmaras 35 mm e digital, projeção, edição) ou material de apoio didático para cursos internos e externos
Tanto os cursos já existentes de formação técnica quanto os que vierem a ser criados, terão grande vantagem em ter á disposição CDs de treinamento técnico, ou então que sirvam como manual de uso de equipamentos, a exemplo do que já é feito na atividade particular. O mesmo material pode ser utilizado para empréstimo aos usuários externos beneficiados por ocasião das cessões de equipamentos do CTAv ou de centros audiovisuais regionais.
Execução: CTAv / Associação Brasileira de Cinematografia, ABC / profissionais contratados
j) Certificação
A oficialização pelo Ministério da Educação de cursos profissionalizantes ministrados pelo CTAv valorizaria e daria efetividade a eles, retirando-lhes o caráter eventual e amador. Trata-se de empreitada complexa, com aspectos formais e legais, mas que daria mais consistência à atividade de formação exercida pelo CTAv. Deve ser possível acelerar o processo procurando parceria com alguma instituição que já esteja credenciada junto ao MEC para tanto.
Execução: CTAv / SAV / MinC / MEC / estabelecimentos de ensino técnico e superior
4. Acervo
a) Restauração, digitalização e disponibilização dos filmes de temática indígena
O Instituto Nacional do Cinema Educativo foi fundado por Roquette Pinto, antropólogo discípulo do Marechal Rondon, em1937. Desde a primeira de suas expedições, em 1908, Rondon manifestou interesse na documentação etnográfica audiovisual. O acervo do CTAv inclui significativa parcela de imagens registradas pelo Major Reis, cinegrafista de Rondon, e outras de Heinz Förthman, que na década de 1950 realizou documentários com o então etnólogo Darcy Ribeiro. Como a questão indígena continua de grande atualidade no Brasil e no mundo, a preservação e a subseqüente disponibilização destas imagens pela internet, com a devida proteção dos direitos, podem viabilizar um aumento de consciência sobre a defesa da cultura e dos direitos dos índios.
Execução: CTAv / Cinemateca Brasileira / Fundação Nacional do Índio - FUNAI / Ministério da Justiça / Fundação Darcy Ribeiro
b) Projeto “Cinema Brasileiro no Papel”
O CTAv possui grande quantidade de fotografias e documentação em papel de valor histórico para o cinema brasileiro, conservada em condições precárias, situação comum a diversos outros acervos espalhados pelo país. O valor documental deste material dialoga com o processo de catalogação do acervo em película e com o contexto cultural em que se deu sua produção. Além do que, parte significativa do acervo em questão permanece depositado na Fundação Nacional de Arte (FUNARTE), estrutura organizacional a qual era vinculado o CTAv antes da transferência do órgão para a Secretaria do Audiovisual (SAV/MinC). A microfilmagem e digitalização desta documentação, através de convênio que a viabilize, transformaria um eventual contencioso entre as instituições, numa ação de parceria. Este projeto prevê higienização, catalogação, restauração e disponibilização do acervo não cinematográfico do CTAv (fotos, cartazes etc).
Execução: CTAv / FUNARTE / Museu Benjamin Constant / Biblioteca Nacional
c) Restauração dos filmes INCE de pesquisa científica, em parceria com o Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT)
A produção cinematográfica do Instituto Nacional de Cinema Educativo, fundado em 1937, consiste em cerca de 400 títulos que abordam temas relacionados à pesquisa cientifica da época. Independentemente da evolução técnica desde então, esta produção testemunha a vontade de desenvolver tecnologias brasileiras, questão que continua atual. O MCT já demonstrou interesse em estabelecer cooperação para dar andamento ao projeto de restauração dos filmes, que atualmente pertencem ao acervo do CTAv.
Execução: CTAv / Ministério da Ciência e Tecnologia / Cinemateca Brasileira
d) Projeto “Cidades”
O acervo do CTAv, incluindo o do Instituto Nacional de Cinema Educativo INCE, dispões de documentários sobre cidades como Rio de Janeiro, Brasília, por exemplo, realizados nos anos 1940, 1950 e 1960 por diretores como Humberto Mauro e Joaquim Pedro de Andrade, entre outros cineastas de destaque. Estes filmes são testemunhos da evolução do desenvolvimento urbano brasileiro. O êxodo rural e a superpopulação das grandes cidades são questões não apenas brasileiras, mas mundiais. Neste momento, a referência a outras formas de organização populacional e seus hábitos sociais sugere uma reflexão das relações entre progresso e desenvolvimento social. Este projeto ocupa-se em articular o referido acervo para disponibilizá-lo no formato de uma coleção de registros históricos sobre desenvolvimento urbano.
Execução: CTAv / Ministério das Cidades / Cinemateca Brasileira
e) Projeto “Indústria”
O acervo do Instituto Nacional de Cinema Educativo (INCE) começou a constituir-se no inicio do processo de industrialização do país, pelo qual foi responsável Getulio Vargas, também criador do órgão. Há documentações cinematográficas sobre a Usina Siderúrgica de Volta Redonda e iniciativas afins que registram o impulso desenvolvimentista que partindo de Vargas, passa por Juscelino Kubitchek e chega até hoje, com o Plano de Aceleração do Crescimento - PAC. Os documentários sobre técnicas industriais produzidos à época do INCE (1936-1966) contribuem com a reflexão acerca do processo de industrialização do país a partir de descrições especializadas de alguns processos detalhados. Catalogar, disponibilizar e elaboração uma antologia sobre desenvolvimento industrial são as principais ações propostas pelo projeto “Indústria”.
Execução: CTAv / Ministério do Desenvolvimento / Indústria e Comércio Exterior MDIC / Cinemateca Brasileira.
f) Projeto SRTV
O Setor de Rádio e Televisão, criado pela Superintendência de Comercialização da Empresa Brasileira de Filmes EMBRAFILME no final da década de 1970, realizou, em parceria com a TV Educativa, um programa denominado “Cinemateca”, de promoção e divulgação do cinema brasileiro. Foram feitos dezenas de episódios que reuniam entrevistas, making ofs, debates e cobertura de eventos que testemunham o melhor momento da história do cinema brasileiro no que diz respeito ao seu relacionamento com o público. Um conjunto de materiais brutos em película reversível com som magnético foi preservado no CTAv e agora pode ganhar atualidade e relevância a partir de novos recortes temáticos e propostas de edição. O “Projeto SRTV” conta com uma comissão mista de trabalho (interna e externa) que visa a planejar sua execução. A Direção de Conteúdo e Programação da TV Brasil, já manifestou interesse.
Execução: CTAv / TV Brasil / MinC
5. Memória
a) Restauração do som do filme Bonequinha de seda, de Oduvaldo Vianna/Cinédia
O filme Bonequinha de Seda, (1936) desde a época em que foi lançado representa exemplo da capacidade do cinema brasileiro de se comunicar com seu público no mesmo nível do cinema estrangeiro. O Estúdio Cinédia, que o produziu na época, está desenvolvendo um projeto de restauração da imagem e solicitou a parceria do CTAv na reconstituição de sua coluna sonora. Este trabalho poderá transformar-se numa experiência piloto de capacitação num campo da restauração cinematográfica que não é atendido pela atividade de estúdios de som e finalizadoras.
Execução: CTAv / Cinédia
b) Catalogação, microfilmagem, digitalização e disponibilização do acervo em papel dos Estúdios Cinédia
O conceito de diálogo entre a documentação em papel e a produção cinematográfica preservada, utilizado na descrição do item 4.b, denominado “Cinema Brasileiro em Papel”, se aplica de novo a este. A Cinédia, estúdio criado por Adhemar Gonzaga, no início da década de 1930, é uma empresa que existe até hoje e se notabilizou pela preservação de seus 32 títulos de longa-metragem. O acervo em papel inclui correspondência dos anos 1920, referente ao encontro entre o diretor Humberto Mauro e o produtor Adhemar Gonzaga. Além de expressar sua própria riqueza, estas cartas incidem sobre a questão “cinema industrial versus cinema de autor”, que oitenta anos depois ainda está presente no cinema brasileiro. A iconografia referente aos filmes da Cinedia é documento insubstituível de uma época em que o cinema era o mais importante e abrangente meio de comunicação de massa criado pelo homem até então. Sua preservação dialoga com aquela do acervo em papel do CTAv e é de interesse público. Além dos limites meramente particulares ou empresarias, contribui para o conhecimento da indústria audiovisual brasileira, em seu primeiro momento de consciência histórica como tal.
Execução: CTAv / Estudios Cinédia / Biblioteca Nacional
c) História Gravada do Cinema Brasileiro (entrevistas com pesquisadores, críticos, produtores, distribuidores, exibidores)
Um programa de preservação da memória oral, reunindo entrevistas gravadas com contemporâneos da fase histórica do cinema brasileiro, pessoas que conviveram com pioneiros como Humberto Mauro, Adhemar Gonzaga, Mario Peixoto, Alberto Cavalcanti e Lima Barreto, entre outros. E também depoimentos de personalidades referenciais de fases mais recentes do cinema, mas não menos relevantes, como Nelson Pereira dos Santos, Luiz Carlos Barreto e Roberto Farias. O programa se propõe a registrar um legado para o futuro, que se qualificará também pela escolha dos entrevistadores.
Execução: CTAv / Cinemateca Brasileira
d) Microfilmagem, digitalização e disponibilização da revista Filme Cultura na internet e coleção de CD Rom
A revista Filme Cultura foi criada por sugestão do GEICINE (Grupo Executivo da Indústria Cinematográfica), que teve atividades entre 1961 e 1965 e era coordenado pelo Ministério da Indústria e do Comércio, com integrantes de vários ministérios e bancos públicos, entre outros. Na época, a revista era um periódico diferenciado, moderno e de alto nível intelectual. Em suas páginas eram publicadas ricas análises sobre obras, diretores, atores, técnicos e também acerca de questões econômicas do cinema brasileiro. Entre os anos 1965 e 1988, 48 números da revista foram publicados pelo INC e pela Embrafilme, sucessivamente, totalizando 4038 páginas. Filme Cultura representava a contribuição do estado brasileiro ao debate cinematográfico cultural, industrial e técnico, uma experiência singular. Naquele momento, o veículo privilegiado para tal iniciativa ainda era o impresso. Graças ao zelo de alguns colecionadores, todas as 48 edições estão preservadas. Com as tecnologias disponíveis no século XXI, tornou-se viável proporcionar amplo acesso a publicações históricas em meios virtuais, digitalizar e multiplicar a condição de pesquisa na coleção da revista Filme Cultura significa uma contribuição tanto à história do cinema brasileiro, quanto à participação estatal em seu desenvolvimento. O CD Rom vem a ser material de pesquisa destinado a colecionadores.
Execução: CTAv / Biblioteca Nacional / MinC
e) Projeto de elaboração de antologia do cinema brasileiro, das origens até hoje
Em 1968, o Instituto Nacional do Cinema produziu o longa-metragem Panorama do Cinema Brasileiro, de Jurandir Noronha, que remanesce como única referência no gênero. Nos mais de quarenta anos que se passaram até hoje, a idéia de atualizar e re-significar o cinema brasileiro em suas diversas fases - origens, ciclos regionais, Cinédia, Atlântida, Vera Cruz, Cinema Novo, Cinema Marginal, Embrafilme, Retomada, produção regionalizada, co-produção com as distribuidoras “majors” (artigo 3°), violência urbana, novos documentários-depoimentos, a atualidade - é estimulante. Os exemplos das antologias dos cinemas americano e italiano realizadas por Martin Scorsese, de difusão mundial, confirmam a proposta. A utilização didática de uma obra como esta nos cursos já existentes ou futuramente no ensino de nível secundário, como já está previsto, bem como sua difusão na rede pública de televisão, a revalida.
Execução: CTAv / Cinemateca Brasileira / Cinemateca do Museu de Arte Moderna / Arquivo Nacional / Ministério da Educação
f) Projeto de elaboração de série de DVDs dos filmes de Roberto Farias
A experiência do CTAv na elaboração do DVD de Assalto ao Trem Pagador, revelou-se tão exitosa no seu processo de autoração, com extras que incluíram depoimentos de atores e equipe, que o produtor e diretor Roberto Farias se propôs disponibilizar os seus principais títulos para a continuação da parceria. Dada a importância de sua filmografia, esta possibilidade de parceria público-privado poderia significar a introdução de um novo modelo de negócios nas atividades do CTAv.
Execução: CTAv / R.F.Farias Produções Cinematográficas / MinC
6. Eventos
a) Série de painéis sobre montagem e edição
O boom de documentários propiciado pela captação digital de imagens, as transformações decorrentes da emergência da televisão pública, a influencia do estilo dos clipes, tornam o debate sobre a manipulação do conteúdo pela edição uma questão central. Promover um diálogo entre os conceitos tradicionais de montagem cinematográfica e os novos, ditados pela edição digital, sobretudo em televisão e publicidade, e sua prospectiva, faz parte da atividade de atualização tecnológica e também criativa do audiovisual brasileiro.
Execução: CTAv / SAV / MinC / associações profissionais
b) Concurso para nova vinheta do CTAv
A vinheta do CTAv foi concebida numa ótica tradicional, de fixação de marca, utilizada sobretudo para a televisão e a publicidade. Uma nova vinheta pode assinalar uma nova fase e também proporcionar um uso experimental, fazendo com que nas projeções em película ou DVD, ela possa ser variável, rompendo o paradigma de uma mesma vinheta para todo e qualquer tipo de conteúdo, para se adequar a cada um deles.
Execução: CTAv / contração de serviços de laboratório.
c) Seminário internacional sobre restauração de som
A restauração da imagem encontra no trabalho da Cinemateca Brasileira uma ilha de excelência. Mas a restauração do som de filmes em mau estado de conservação, não é suprida no mesmo nível nem por esta instituição nem pelos estúdios de som e finalizadoras do mercado, que se limitam a fazê-lo a partir de um determinado patamar de qualidade técnica. O CTAv já atende esta necessidade, mas sua vocação é criar um nível de especialização e excelência, trabalhando em articulação com a Cinemateca Brasileira. Um seminário anual, com um especialista internacional convidado, reunindo experts e entidades interessadas, tem o sentido de atualização e aquisição de conhecimento técnico.
Execução: CTAv / Cinemateca Brasileira
d) Seminário sobre roteiro para filmes de animação de curta, série e longa-metragem, com convidados internacionais
O cinema de animação, compreensivelmente, é examinado do ponto de vista técnico mais do que daquele do conteúdo. No entanto, o intenso grau de identificação produzido por ele é determinante para a fixação de seu público. Isto é, de seu consumo e sua economia. A questão da dramaturgia do cinema de animação brasileiro é uma área a ser objeto de reflexão e desenvolvimento, visando a sua comunicação com o público e ampliação de mercado.
Execução: CTAv / SAV / ABCA /Associação dos Roteiristas - AR
e) Projeto “Mauro Hoje”
Humberto Mauro nasceu em 1897, praticamente junto com o cinema. Sua obra, composta por cerca de 260 filmes, acompanha transformações técnicas e estéticas da própria evolução do cinema brasileiros. O CTAv é herdeiro de boa parte das películas deste autodidata que marcou privilegiadamente seu tempo deixando um legado incomparável. Difundir este material significa valorizar a produção audiovisual brasileira no contexto histórico. Só na cidade do Rio de Janeiro e região metropolitana existem quatro departamentos de cinema em universidades federais e particulares, além de escolas de cursos livres. A proposta é prover conteúdo que incentive uma revisão crítica e histórica da obra do cineasta com o objetivo prioritário de fomentar o debate e a pesquisa na nova geração, especialmente nas disciplinas relacionadas à história do cinema brasileiro, presentes em todas as escolas. Paralelamente o mesmo material pode ser utilizado nos pontos de cultura, bibliotecas públicas, núcleos de produção digital e também compor acervos do Ministério da Cultura e órgãos vinculados. O produto final reúne uma coleção de DVD s com obras de Humberto Mauro reeditadas, uma mostra itinerante, debates articulados com cursos de cinema e uma publicação impressa.
Execução: CTAv / Cinemateca Brasileira / Programadora Brasil / MinC (pontos de cultura) / TV Brasil / universidades federais e particulares que tenham cursos de cinema / Serviço terceirizado de finalização do DVD e CD
7. Comunicação
a) Reformulação do “site”
Novo planejamento visual e de conteúdo para a página do CTAv na internet, com o objetivo de modernizar e dinamizar sua aparência, criação de colunas e matérias, enriquecendo as informações disponibilizadas ao usuário. Inclusão de novos tópicos, como um passo a passo das etapas de produção, detalhando os procedimentos técnicos para um melhor atendimento por parte do CTAv, por exemplo.
Execução: CTAv / Secretaria Executiva do MinC
b) Cobertura cultural
Registro visual e sonoro de mesas-redondas, debates, conferências, e outros eventos de interesse para a formação cinematográfica e audiovisual selecionados por sua atualidade e relevância para elaboração e disponibilização de DVDs para pesquisa.
Execução: CTAv / museus e centros culturais
c) Números especiais de Filme Cultura
Editar uma série especial denominada Filme Cultura Hoje, de revisão histórica e crítica, sobre os formadores do Cinema Brasileiro: Humberto Mauro, Adhemar Gonzaga, Mario Peixoto, Alberto Cavalcanti, Nelson Pereira dos Santos, Glauber Rocha e outros. O lançamento de números temáticos especiais da revista Filme Cultura segue o exemplo do que foi feito por ocasião comemorativa dos 70 Anos do INC e 25 Anos do CTAv, além de espelhar-se em modelos de revistas internacionais de cinema com edições monotemáticas de abordagem mais extensa e a aprofundada. A iniciativa representa a intenção de uma reavaliação atualizada da história do cinema brasileiro e das manifestações culturais por ele geradas.
Execução: CTAv / Cinemateca Brasileira / MinC