Montagem cinematográfica

Por Ana Moreira

A sensação inicial equivale a uma travessia instantânea da “era dos Flinstones” para a “era dos Jetsons”. É um pulo colossal sem etapas de transição. No primeiro momento a mecânica prevalece: pratos, roletes e alavanca obedecem ao comando do montador. No segundo momento, o que era plano virou clip, a ‘banheira’ virou bin, a ‘coladeira’ passou a ser virtual. Parece, afinal, que num passe de mágica, o processo de finalização de um filme está pelo avesso.

Para os “loucos por cinema”, a nova ferramenta anulou totalmente o contato físico do processo. Tudo é muito “limpo”, “frio”, pouco palpável. Faltam o “cheiro” do filme, a textura da emulsão, a cola do durex que gruda debaixo das unhas, a canção paralela de roletes e pratos enquanto o copião desliza na moviola.

Discussões e inconvenientes à parte, o fato é que a moviola mudou e, pouco a pouco, conquista mais adeptos conscientes das qualidades da nova ferramenta de montagem. Destacam-se, entre tantas outras vantagens, a simplificação das tarefas de organização, decupagem, seleção, localização, sincronização e, conseqüentemente, a disponibilidade de períodos maiores para o exercício da criação.

Não resta a menor dúvida que os instrumentos oferecidos para agilizar o processo de criação são o grande trunfo das chamadas plataformas de edição não lineares. Independentemente do impacto provocado por expressões pouco familiares como FLEX FILE, PULL DOWN, DROP FRAME etc. o que realmente conta é poder associar as habilidades de um montador experiente ao extraordinário potencial desta “engenhoca eletrônica”, programada para ser o veículo da imaginação.

A Ferramenta:

Moviola de 35 mm e estação não linear

Moviola de 35 mm e estação não linear

Óticos e magnéticos  e Fitas Betacam e Dat

Óticos e magnéticos e Fitas Betacam e Dat

Estante e Hard disks

Estante e Hard disks

Banheira ou cesto  e Bin

Banheira ou cesto e Bin

Rolos de imagem e som  e  Clip e sequência carregados

Rolos de imagem e som e Clip e sequência carregados

Coladeira e Comando overwrite

Coladeira e Comando overwrite

Carregando uma fita no VT e  Clicando o mouse

Carregando uma fita no VT e Clicando o mouse

 

 

Sistemas de edição não lineares

Existem no mercado vários modelos de sistemas de edição não lineares. A variedade inclui desde modelos de maior ou menor sofisticação até estações programadas para resultados em vídeo e/ou cinema. O modelo mais adequado depende unicamente do propósito do usuário. Especificamente para a montagem de filmes, além do conhecido e premiado sistema FILM COMPOSER, hoje é muito comum a utilização de plataformas de edição de vídeo compatibilizadas com programas específicos para a finalização cinematográfica (Film Matchback e Film Scribe são dois exemplos de softwares compatíveis com plataformas da linha MC Xpress).

Soluções mais econômicas e práticas espalham-se no mercado com o objetivo de facilitar o processo de montagem e atender a uma extensa gama de usuários. Destacam-se entre as novidades oferecidas a opção de plataformas Macintosh e Windows NT, o Meridien, que permite a captura do material digitalmente e elimina a obrigatoriedade da compressão dos arquivos de media, o DLT (Digital Linear Tape), para o back- up de grandes volumes de arquivos, etc.

 

O que realmente importa nessa área é manter-se atento às inovações e buscar a assessoria de especialistas para eliminar possíveis dúvidas e equívocos sobre o assunto. Atualizar-se constantemente deve ser o principal objetivo de todos os interessados na dinâmica operacional das estações não lineares de edição, lembrando que algumas pequenas diferenças nos sistemas existentes no mercado podem ser perfeitamente contornadas pela informação.